quinta-feira, 2 de julho de 2015

Filme - poder além da vida e sobre a perseverança

Assisti o filme poder além da vida para um módulo de qualidade de vida da pós-graduação e aqui passo um pouco sobre ele. Não é só filme, mas também livro. É uma história bacana de superação, vale a pena a pipoca.
Não vou resumir aqui até porque isso pode ser visto pela sinopse e também porque não sou muito boa em contar sem fazer spoiler, então falarei sobre as lições dele.
O tema central é a perseverança e determinação para o atingimento dos ideais e a necessidade de aprender a viver o momento, ou melhor, a colocar foco no presente.
Dan Milmann, a personagem central, logo no começo do filme tenta realizar um movimento na ginástica que o treinador acredita não ser possível porque, segundo ele, o que está tentando nunca tinha sido feito antes. Esqueceu o técnico que para tudo existe uma primeira vez e que para alcançar algo, mesmo que pareça impossível, o primeiro passo é tentar.
O combustível da determinação e persistência é saber o que exatamente se quer porque se sua meta não está bem estabelecida, qualquer resultado vai acabar servindo. No desenho animado “Alice no País das Maravilhas”, em determinado momento a menina está em uma encruzilhada, se perguntando qual caminho deveria seguir. Nisto aparece o Mestre Gato e o seguinte diálogo é travado:
Alice: Eu só queria saber que caminho tomar.
Mestre Gato: Isso depende do lugar aonde quer ir.
Alice: Olha, isso realmente não importa, desde que eu...
Mestre Gato (interrompendo Alice): então não importa que caminho tomar! 
Obviamente, se temos um objetivo difícil é preciso persistir muito para que aquilo ocorra, entretanto, como diria Miguel de Cervantes “a perseverança é a mãe da boa-sorte ”. Ou seja, precisamos sempre tentar alguma coisa nova, diferente, nos aperfeiçoar, além de continuamente correr atrás da meta estabelecida através de planejamento e disciplina para alcançarmos os objetivos. Para muitos será considerado sorte quando finalmente chegarmos lá, mas saberemos que foi alcançado com suor. Thomas Edison diz que “o gênio é 1% inspiração e 99% transpiração ”. Não existe apenas hora certa e lugar certo, mas muito foco e disciplina para conseguirmos conquistar o que desejamos. Certa vez ouvi algo como “quando a sorte chegar, vai me encontrar trabalhando”. Não adianta apenas desejarmos muito uma coisa se não fizermos nada para alcançar o objeto de desejo.
Isso ocorre bastante na vida, planejamos o trabalho e os caminhos da empresa em que trabalhamos, mas não desenhamos o que gostaríamos para nossa existência. Geralmente os planos e metas da vida são vagos, assim, acabamos aguardando que o acaso se encarregue da solução para nossos problemas, sem pensar no que gostaríamos que ocorresse daqui um, cinco ou dez anos. E assim os anos passam sem propósito e gastamos nossa vida apenas vivendo sem rumo.
Logo, a teoria é simples: saber o que se quer e montar um plano para como chegar lá – e executar o plano. Porém, não é tão fácil assim. Muitas vezes o desejo foi tão pouco explorado ou é tão amplo que não é possível identificar quais são as decisões que nos fazem chegar ao que desejamos. Sem contar que se não delimitarmos bem a meta a alcançar, não temos como garantir que este é um desejo genuíno, sendo assim, ao chegar no objetivo, podemos nos frustrar.
Quando delimitado o objetivo, chegamos ao ponto de planejar como alcançá-lo. Mas o planejamento pode ser extremamente desconfortável se não estamos em sintonia com quem somos e o que queremos. Isso porque teremos de sair de nossa zona de conforto e analisar nossas vidas, nossas expectativas, ver se efetivamente sabemos o que estamos fazendo nesse mundo. Durante o filme em determinado momento Sócrates, o amigo que Dan descobre na vida, diz que “é preciso enlouquecer antes de recuperar a sanidade”. Creio que isso se encaixe perfeitamente neste caso: quando não temos o hábito de nos centrar não é nada simples entrar em contato conosco e analisar em que estamos errando ou ver que não estamos no caminho que gostaríamos de estar e isso pode mexer com a gente. Mas feito o trabalho, o retorno é muito positivo.
Há mais ou menos 2 anos comecei a fazer ioga por recomendações médicas. Desde o começo o professor diz coisas como “as mudanças ocorrem de dentro para fora” e “a lei da mente é implacável – visualize o que deseja que uma hora você vai atrair o que quer”. Vejo que realmente é preciso viver o agora e encontrar contentamento no que fazemos, ou seja, realizar nossas tarefas com amor e dedicação.
E acredito ser este um dos pontos cruciais do filme: devemos viver o momento, o aqui e agora, focar no que estamos fazendo, com a maior atenção que podemos dar, para que possamos viver a experiência com o máximo de paixão e o mais envoltos possível.
Outro ponto importante apresentado é aproveitar o caminho até a realização da meta. A vida é feita, em sua grande parte disso, do caminho. Não temos grandes realizações diárias, mas pequenas vitórias. Certa vez estava conversando com meu primo sobre o fato de ter conseguido pela primeira vez alcançar meu tornozelo no paschimottanasana*  depois de mais de um ano de aulas, ao que ele responde “ah, as micro-conquistas da ioga”. A vida é como uma aula de ioga, para aproveitarmos  de verdade devemos celebrar sempre as micro-conquistas do caminho enquanto não conseguimos o objetivo final.
Estou lendo um livro chamado “Ansiedade, como enfrentar o mal do século?” em que o autor discorre sobre a síndrome de pensamento acelerado, que tanto afeta a falta de foco das pessoas. Este pensamento acelerado ocorre por haver muitos estímulos ao mesmo tempo, sendo ideal tentarmos voltar para dentro de vez em quando e acalmar a mente. Além disso, a ansiedade está, em grande parte, no que esperamos para o futuro (não a espera de alcançar uma meta, mas a espera sem sentido) e a idealização do mesmo, segundo o autor.
Esse conhecimento não é nem um pouco novo, mas há muito é esquecido pelas pessoas. Atribui-se a Lao Tzu, filósofo chinês que viveu em meados de 1300 A.C., a seguinte frase: “se você está deprimido, está vivendo no passado. Se está ansioso, está vivendo no futuro. Se está em paz, está vivendo no presente ”. A vida acontece aqui e agora! Não se pode mudar o passado, nem fazer o futuro acontecer antes do tempo, então o que podemos fazer é aproveitar a vida, os pequenos ocorridos do dia a dia e projetar de que maneira podemos chegar aos nossos objetivos e efetivamente realizar o planejado. O programa para alcançar a meta, o desfrute do momento e a determinação dependem de nós. De resto não podemos controlar, então o melhor a fazer é relaxar e aproveitar o que acontece em nossa volta.

*Asana (posição) que consiste em uma antro-flexão sentada no chão com as pernas esticadas, cujo objetivo é alcançar o pé e encostar a cabeça e peitoral nas pernas. Quando descansados ou quando temos realmente pouca flexibilidade – o meu caso no começo, fazemos o sukra paschimottanassana. O hadra paschimottanassana é aquele que alcançamos até o tornozelo, sem encostar o peito na perna – é a posição que alcancei até o momento e que avancei no citado dia. Por fim, a minha meta é o raja paschimottanassana, a posição que encostamos o peito na perna e seguramos a sola do pé - Nomenclaturas e posições retiradas do livro Tratado de Yôga, DeRose.

Nenhum comentário:

Postar um comentário